6 Momentos Lindos que Vivi Fotografando Crianças Especiais

Atualizado: 22 de Mai de 2019

Às vezes, quando olhamos uma foto, não sabemos o que está por trás de cada registro. Por isso, eu vou compartilhar com vocês as histórias por trás de algumas das minhas fotos mais memoráveis.

Sempre que eu faço um ensaio, gosto de contar a história de cada criança bem como falar de sua condição especial. Quando meus seguidores leem as histórias, o retrato passa a ter um significado totalmente diferente. Deixa de ser só uma foto bonita.

Ao longo de 2018, eu fotografei mais de 20 crianças com diversas necessidades especiais e vou compartilhar com você agora algumas das mais marcantes.


1 OS GIRASSÓIS

Manu é uma menina com paralisia cerebral, nistagma e autismo. Sua condição faz com que ela tenha dificuldade em se relacionar com outros. Ela vive no seu mundinho e por isso, fotografá-la é um desafio. Sua mãe Jéssica, relata a decepção ao tentar levá-la para ser fotografada em um estúdio e não sair "nada dali". Acontece que o fotógrafo precisa entender e respeitar a condição de cada criança, sem forçar a barra. Acredito que crianças devem ser registradas brincando e não posando, por isso eu gosto de fotografar em lugares abertos, onde possam brincar.

O meu ensaio com a Manu foi em um sítio, lugar propício para brincadeiras. Ela passou quase o ensaio inteiro enfiando a mão na terra e se sujando toda, o que para mim foi perfeito. No final, antes de irmos embora, eu avistei uma horta com alguns girassóis. Levamos ela até lá e abrimos a mangueira. Ao começar a se molhar, ela que ama água, parou ali, botou as mãos pra cima e começou a sorrir, admirando as gotas.

Todo o ensaio foi filmado (você pode ver os bastidores aqui) e ao ver o vídeo e as fotos, a mãe dela, a Jéssica se emocionou. Compreensível, pois só ela sabe a dificuldade que é conseguir um registro desse e como ela mesma disse "você conseguiu captar a essência da Manu, o jeito que ela enxerga o mundo".










2 A BANANEIRA

Quem vê essa foto, pode imaginar que foi um erro a fotógrafa ter deixado a criança tão "torta" e com um semblante desconfortável. Mas é necessário entender como ela foi feita para ver o quão especial ela é.

A Síndrome de West é uma condição rara onde a criança pode sofrer várias convulsões por dia. Geralmente, quem tem a síndrome também é acometido de paralisia cerebral e autismo. Beatriz e Miguel são gêmeos, ela com a saúde perfeita e ele acometido da Síndrome de West. Miguel não tem sustentação do corpo, não consegue ficar sentado. Para que isso aconteça, é necessário deixá-lo encostado em um tronco e ainda assim, ele cai para os lados. A Kelly, mãe dos dois, queria muito uma foto dos irmãozinhos juntos, mas vendo a dificuldade em mantê-lo com o corpo reto, ela acreditava que nenhuma foto sairia. Antes do ensaio acabar, fizemos mais uma tentativa. O pai arrancou uma folha de bananeira, colocou no chão e posicionou o Miguel e a Beatriz debaixo da árvore. Algumas tentativas foram necessárias até que essa foto fosse feita, pois a Beatriz não estava muito a fim de ficar lá e o Miguel estava começando a reclamar. Tentamos até que desse certo e eis a lembrança que a Kelly vai poder guardar pra vida toda.


3 O MENINO NO BOSQUE

Quando eu soube da condição do Davi, apesar de toda a dificuldade, eu queria registrá-lo de modo onde a sua condição não fosse visível na foto. Não que eu quisesse contar uma mentira. Eu queria dar uma recordação à sua mãe Jessika, que ela não teria em outra ocasião: um retrato do menino onde ele é só uma criança feliz e nada mais.

Eu não gosto de enfatizar a condição nas fotos, pois o importante é a infância. Se eu tivesse fotografado o Davi no seu aparelho que o mantém de pé, o aparelho teria chamado a atenção na foto e não o Davi.

Pois bem, sua condição chamada lisencefalia severa, faz com que o cérebro se torne liso ao invés de rugoso. A criança tem então dificuldades respiratórias, paralisia cerebral e portanto, sem sustentação do próprio corpo, nem mesmo pescoço. Para fotografá-lo sozinho e sentado, o deixamos escorado em uma árvore. Assim que sua mãe se afastava, ele caía para os lados. Sim, tivemos que tentar várias vezes até conseguir fazer essa foto. Gosto muito de fotografar as crianças com animais e para a ocasião, levei uma cachorrinha de uma ONG local, com paralisia em sua cadeira de rodas.

O olhar distante do Davi, segundo sua mãe, era porque ele estava maravil